por Júnior Camilo
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Outro dia, fui exposto a mais de 70 minutos de tortura, diante de um DVD que me havia sido veementemente indicado (na verdade, fui praticamente obrigado a vê-lo) por um parente evangélico. Tratava-se de mais uma dessas pregações que tantos pastores e padres charlatões vivem gravando, a fim de comercializá-las e arrancar mais alguns trocados de seus iludidos fiéis. Fundos para continuar com a sua “sagrada missão”, como gostam de repetir.
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Ali, a pregação em questão trazia o curioso título: Criação x Evolução: Quem está com a razão? E a palavra estava com ninguém menos do que com um velho conhecido da comunidade evangélica brasileira, o pastor Silas Malafaia. Seu objetivo anunciado: dar a “leigos e eruditos” (?) algum embasamento sólido e racional visando chegar à conclusão acerca de quem detém a razão nesse grande embate de nossos tempos. E um detalhe é inegável: o embate só é grande porque vasta é a população de analfabetos ou pessoas com baixo nível de instrução científica que superlotam as igrejas mundo afora e aceitam, sem questionamentos mais do que necessários, a “razão” que lhes é oferecida a título de “verdadeira verdade”.
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A propósito, é irônico o uso da palavra “razão” no título de um vídeo que já começa apresentando uma sopa de letrinhas gregas, que só fazem sentido para quem não sabe ler, e crê, sem indagações, que ali está escrito tal como o pastor lhes diz. Afinal, Malafaia, apesar de ter um diploma de graduação em Psicologia, parece ter colado nas provas de Química, Física e Biologia do vestibular em que passou, já que os absurdos científicos que diz ao longo de toda a pregação chegam a fazer rir qualquer um que tenha prestado um mínimo de atenção às aulas dessas disciplinas, no ensino médio.
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Já de início, logo após ter pelo menos reconhecido que criacionismo não é ciência, como muitos outros teístas querem defender, o homem me vem com essa pérola:
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O que dizem os evolucionistas? (...) Que o presente universo é resultado do Big Bang, uma explosão que ocorreu há bilhões e bilhões de anos e que gerou tudo isso que nós estamos vendo aqui hoje. Que o processo da evolução é tão lento que não pode ser observado.
Primeiro, o que não pode ser observado e experimentado não é ciência. Como é que se chega à conclusão, segundo os evolucionistas, de que há bilhões e bilhões de anos houve uma explosão que criou tudo isso, se não tinha ninguém lá para ver?
.Eu não sei se é para rir ou para chorar! Afinal, com tão poucas palavras, o sujeito que se propõe a trazer a “razão” para o seu público compõe esse “samba do crioulo doido”, em que fala de evolução, Big Bang e sua própria definição de método científico, numa notável campanha de equiparação entre o criacionismo (já reconhecido por ele como não sendo ciência) e a teoria da evolução (que ele, então, tenta desqualificar como ciência). Tanto que sua resposta para a pergunta acima — como os cientistas chegam às suas conclusões? — é simplesmente: “Pela revelação da imaginação dos cientistas! Portanto, revelação não é, como já falei, método científico. Portanto, a evolução também não pode ser considerada ciência!” E para quem ainda não percebeu o problema, deixe-me esclarecer: o que evolução e Big Bang têm em comum? O que uma coisa tem a ver com outra? O que Malafaia disse foi basicamente que eu não posso dar aula de inglês porque o professor de matemática disse que 2 + 2 é igual a 4. Onde diabos está a lógica nisso?
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A teoria da evolução das espécies, explicada brilhantemente pelo mecanismo da seleção natural, tal como proposta por Charles Darwin e Alfred Wallace, é uma teoria da Biologia, e diz respeito a como a vida evoluiu na Terra, desde o seu surgimento na biosfera, há mais de 3 bilhões de anos, ainda na forma de organismos microscópicos, provavelmente a partir do desenvolvimento das primeiras moléculas orgânicas numa “sopa” de elementos químicos expostos a certas condições ambientais da Terra pré-biótica, seguido da formação do que hoje se denomina “mundo de RNA”, onde o ácido ribonucléico parece ter representado a primeira molécula do que se pode chamar de vida — hipóteses científicas muito bem aceitas na Biologia, e que o pastor nem sequer menciona em sua pregação.
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Já no tocante ao Big Bang, talvez o pastor devesse ter esclarecido ao público aquilo que ninguém, nem mesmo professores, parecem ter o bom senso de esclarecer a seus alunos. Pegunte a algum físico e ele lhe dirá a novidade: Big Bang não é nome de teoria científica. É um termo cunhado por Fred Hoyle quando foi proposta a teoria inflacionária do universo, no começo do século XX. Em todo caso, não chega nem perto de resumir o que se estuda hoje em Física, isto é, o que poderia ser chamado de Teoria Inflacionária com a métrica de Robertson-Walker aplicada às soluções de Friedmann das equações de Einstein no modelo de Lamâitre (TILFRW), ao que, mais recentemente, foram introduzidas a(s) teoria(s) (hipóteses) de correção (lâmbda) com matéria escura fria (CDM - cold dark matter). Ou seja, um teoria bem complexa, que não tem nada da vacuidade especulativa que o Pr. Malafaia faz parecer em seu discurso ignorante.
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Assim como a TSE (teoria sintética da evolução) não trata da origem dos seres vivos per se, a TILFRW e/ou a TILFRW-lambda (L)CDM, não trata da origem do universo. Como bem salientou Roberto Parra, um físico amigo meu, num fórum virtual de debates de que participamos: “qualquer discurso acerca do que aconteceu antes dos primeiros décimos de microsegundo do ‘surgimento’ do universo está no terreno das especulações. Criacionistas gostam dessa peculiaridade porque podem enfiar seus deuses-de-lacuna nesse espacinho, e também para aproveitar e dizer que ‘os evolucionistas’ tentam escapar da resposta, dizendo que ‘a teoria não versa sobre isso’. Obviamente, quem entende um mínimo de ciência, compreende perfeitamente porque não se tem ainda uma teoria sobre o assunto.”
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Bem, em todo caso, sem me aprofundar muito na questão, cumpre destacar apenas que a teoria inflácionária do universo trata-se de uma teoria da Cosmologia. Tentar fazer da teoria sintética da evolução e do modelo inflacionário do universo a mesma coisa, só porque são ambos modelos de explicações científicos para fenômenos naturais e físicos, é demonstrar uma ignorância ainda pior do que dizer que a obra de Beethoven e a do MC Serginho são ambas da mesma qualidade, só porque as pessoas tendem a chamar qualquer coisa de música hoje em dia.
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Para estragar ainda mais as coisas, o pastor expõe-nos a sua definição delirante do que seja metodologia científica, afirmando que a hipótese do Big Bang — que, repito, não tem nada a ver com a teoria da evolução — não pode ser científica porque não havia ninguém lá para ver a grande explosão inicial. Que genial isso!
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Já que é assim, então devemos também descartar de nossas vidas a existência dos átomos, por exemplo, já que ninguém até hoje jamais viu um átomo, nem através do microscópio. E uma vez que átomos só devam existir, portanto, na “imaginação dos cientistas”, a bomba atômica, que libera energia a partir da fissão de núcleos atômicos (repito: invisíveis para nós), é pura ilusão de ótica, efeitos especiais de Hollywood. Aliás, também deve ter sido mentira ou pura fantasia a explosão de uma bomba dessas em Hiroshima e de outra em Nagasaki, no Japão, em agosto de 1945. De modo que, logo, concluindo como o nosso brilhante pastor, aquela explosão, cujo calor foi de aproximadamente 5,5 milhões de graus centígrados e desintegrou na hora quase 100 mil pessoas em Hiroshima e cerca de 40 mil em Nagasaki, além de ter ferido outras dezenas de milhares, evento registrado de todas as formas, inclusive através de filmagens daquele genocídio brutal, simplesmente não aconteceu... só porque o Pr. Silas (e ninguém mais) consegue ver um átomo. Além do que, segundo essa mesma linha de raciocínio (se é que se pode chamar ignorância de raciocínio), a metodologia que permitiu a exploração de um mundo invisível e que, infelizmente (não por causa da ciência mas pela desenfreada vontade de potência humana), possibilitou a construção da bomba não foi científica. Maravilha! Deve ter sido fruto da magia negra ou do vodu haitiano, então! Ou, quem sabe, uma ilusão de ótica causada por algum dispositivo de tecnologia superior trazido à Terra pelo ET de Varginha!?
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Ora essa, tenha dó! O método científico consiste, em termos elementares, em identificar e analisar os efeitos de um determinado fenômeno e explicar este fenômeno a partir das constatações feitas. No caso da seleção natural, por exemplo, podemos seguramente afirmar que a TSE (teoria sintética da evolução) é uma teoria científica consolidada, que vai sendo ainda melhor compreendida e explanada, à medida que avanços em outros campos do conhecimento científico vão somando a ela confirmações cada vez mais sólidas. Ciências modernas, como a Genética, a Biologia Química, a Paleontologia, e até mesmo a Informática têm contribuído, e muito, para a TSE, também chamada por muitos de neodarwinismo, isto é, para a versão atual, mais complementada, da TE original, explicando, com muito mais clareza, como se deu e se dá todo o processo. Isso, meu caro pastor, é ciência de primeira!
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Portanto, se ninguém obviamente foi testemunha ocular do Big Bang, na origem do universo, essa grande explosão que fortes indícios sugerem ter havido, há bilhões e bilhões de anos atrás, isso — além de não mudar em nada o fato de que esse fenômeno possa ter produzido efeitos que, hoje, são medidos e analisados qualitativa e quantitativamente, análises estas que podem ser utilizadas para explicar seus aspectos e funcionamento — não tem nada a ver com a teoria da evolução.
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Durante sua pregação, o Pr. Silas afirmará que, uma vez que criacionismo e evolução “não são ciência” (estando certo apenas sobre o primeiro caso), a forma de se saber qual das duas perspectivas está com a razão é pela sua confrontação direta com o que ele chama de “as quatro principais e mais bem provadas leis que existem no mundo”, “as leis mais verdadeiras e universais da ciência”, que “têm primazia sobre todas as leis científicas” e que são “as quatro principais e mais bem provadas leis científicas”, às quais o pastor diz que submeterá os argumentos criacionistas e evolucionistas, a fim de demonstrar quem está falando a verdade.
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Durante toda aquela longa aula de ignorância científica a que fui submetido, pregada com autoridade de “voz da razão”, tive de ter saco para agüentar uma argumentação estapafúrdia, que agora tirava a TSE de seu contexto, dizendo que ela era refutada como hipótese válida sobre a origem da vida por conta do princípio da biogênese de que apenas um ser vivo pode dar origem a outro ser vivo.
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Bem, para início de conversa, o que o pastor não diz é que a teoria sintética da evolução não trata da origem da vida em si. A TSE descreve como a vida evoluiu e vem evoluindo desde que surgiu. Assim, não existe nenhuma explicação evolutiva para a origem da vida propriamente dita, pois é uma teoria que descreve o que acontece com ela, a partir do momento em que já existe. Além disso, o pastor espertamente omite algo muito relevante, quando diz que a biogênese é uma teoria aceita unanimemente entre os cientistas: o fato de que Louis Pasteur e outros estabeleceram a lei biogênica para refutar uma crença criacionista infudanda de seu tempo, a geração espontânea. Malafaia comenta essa crendice ignorante de tempos atrás, mas não diz quem eram os crédulos. Pasteur demonstrou que, ao contrário do que muitos pregavam, ratos, vermes e insetos não surgiam prontinhos, de forma espontânea, a partir de organismos mortos ou da matéria inanimada; eles só poderiam surgir de alguma forma de vida preexistente. A teoria não visa a refutar a origem da vida primitiva a partir de moléculas gradativamente mais complexas, como já mencionei no início deste artigo. Portanto, o pastor estava mais uma vez enrolando seus fiéis com deturpações de teorias científicas. Em outras palavras: a evolução não se refere à origem da vida em si, mas ao processo pelo qual ela evolui, e a teoria da biogênese tampouco se aplica à origem da vida primitiva, mas sim à antiga crendice criacionista da geração espontânea.
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Ademais, só para deixar bem clara a questão da origem abiogênica da vida, como a ciência a defende, falemos do fato que o pastor resolve esconder de seus fiéis, de que experimentos laboratoriais, buscando reproduzir as condições ambientais da Terra primitiva, já produziram vários compostos orgânicos (a base química dos seres viventes), tais como a insulina e a uréia, por exemplo, apesar de Malafaia dizer que isso é impossível, bem como já se criaram agregados de moléculas sob a forma de coacervados, que, mesmo não sendo ainda seres vivos, são estruturas imediatamente anteriores à primeira estrutura viva que existiu. Afinal de contas, a diferença entre um ser vivo e um ser inanimado é simplesmente uma questão de como suas moléculas estão organizadas — coisa que o pastor jamais diz em sua pregação.
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Mas, enfim, como Malafaia utiliza a teoria da biogênese em sua argumentação?
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Vamos submeter o postulado criacionista e o evolucionista a essa lei! Vamos lá!
Os evolucionistas: a matéria inanimada, inorgânica, produz vida e até forma ou formas complexas. Enquanto houver lei de biogênese, não pode! O inorgânico não pode produzir o orgânico. A matéria inanimada não pode produzir vida. É a primeira bomba em cima deles! Porque, se a matéria inorgânica é a mãe de todas as coisas, a lei da biogênese diz que o inanimado não pode produzir o animado, o que não tem vida não pode produzir o que tem vida. Só organismo vivo produz vida. Então, já estão com um a zero logo de saída.
Mas vamos submeter o postulado criacionista dentro da lei da biogênese! Um Deus vivo criou seres vivos. Correto! Sem nenhum problema! Sem nenhuma contradição! Um Deus vivo cria seres vivos semelhantes. Gênesis 1:26: ‘Façamos o homem à nossa imagem e semelhança’. Um ser vivo cria seres vivos semelhantes: o postulado criacionista está, em gênero, número e grau, de acordo com a lei da biogênese. Um a zero para nós!
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Brilhante isso! Não apenas ignora o fato de que a teoria da evolução não versa sobre a origem da vida, de que biogênese também não versa sobre a origem da vida e de que os compostos orgânicos são formados a partir de elementos que, em outros arranjos menos complexos, são encontrados em compostos inorgânicos (o ácido carbônico, H2CO3, por exemplo, é inorgânico, enquanto o ácido fórmico, CH2O2,é orgânico), mas também apresenta essa colocação simplesmente risível e absurda de que a biogênese corrobora a idéia estapafúrdia de que um “Deus vivo” criou seres vivos semelhantes a ele. Como assim? Isso quer dizer então que esse Deus é um organismo vivo, de carne e osso como nós? É isso? Ah, faça-me um favor, pastor!
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Em seguida, Malafaia diz que vai escolher mais duas leis que “governam todos os processos naturais”, a saber: a 1ª e a 2ª lei da termodinâmica, isto é, a lei sobre a conservação de energia e a que determina que os processos em sistemas físicos ocorrem numa certa direção mas não podem ocorrer na direção oposta. Começando pela primeira, o pastor diz:
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Vamos submeter o postulado evolucionista à lei da termodinâmica!
Diz que a energia ainda está em expansão, em evolução. Enquanto tiver a primeira lei da termodinâmica em vigência, não pode, em hipótese alguma, haver, de jeito nenhum, evolução, porque a quantidade total de energia é sempre a mesma. Não está havendo produção de energia, nem evolução de energia. Portanto, o postulado evolucionista é diametralmente oposto ao que diz a primeira lei da termondinâmica.
Agora, vamos submeter o postulado criacionista dentro da primeira lei da termodinâmica! Deus fez todas as coisas completas e acabadas. Perfeito! A quantidade de energia é sempre a mesma. Deus fez todas as coisas completas e acabadas. Não há nenhuma discrepância entre a afirmação criacionista e a primeira lei da termodinâmica.
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Primeiramente, destaquemos o absurdo das palavras acima: “evolução de energia” não existe, e nenhum cientista evolucionista jamais usou essa expressão idiota e sem sentido. Em segundo lugar, a evolução é um fato! Se alguém acha que a teoria sintética ainda tem algumas lacunas a preencher em sua explicação do fato evolutivo, isso fica por conta de minúcias inanes e picuinhas sustentadas por crenças religiosas ou ideológicas pessoais. E mesmo que a TSE estivesse toda errada (o que não está!), isso não muda o mais importante: a evolução é um fato biológico incontestável! Os organismos evoluem. Ponto final. Isso é constatado das mais diversas formas, nos mais diversos campos da ciência. Só o fato de a evolução ser real já diz o óbvio: ela não pode estar violando nenhuma lei física. E, de fato, ela não pressupõe, como ignorantemente afirma o pastor, nenhuma criação de energia ex nihilo. Só nas palavras ignorantes e deturpadoras da verdade pregadas pelo Pr. Silas.
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Por fim, a explicação dele de que Deus criou tudo prontinho, e que isso condiz com o princípio de conservação de energia, é simplesmente a coisa mais estúpida que alguém poderia aceitar como explicação convincente, pois ela já parte de um problema inexplicado: que evidências corroboram a existência de tal Deus, para início de conversa? O pastor já parte da idéia de que Deus existe e isso é incontestável — acontece que, se você mudar a palavra Deus por Fada Azul no discurso acima, verá que ele fará o mesmo sentido: apresentará uma explicação a partir de um conceito que carece de evidências que corroborem sua existência.
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É aí que Malafaia vem falar da 2ª lei:
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Toda a natureza está em descendência. O que é que os evolucionistas dizem? Que o universo caminha de níveis desorganizados para níveis cada vez mais organizados. É totalmente contrário à segunda lei da termodinâmica. A lei diz que o universo caminha de níveis organizados para níveis desorganizados. É descendente, não ascendente! (...) Enquanto houver a segunda lei da termodinâmica, não pode haver evolução!
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E o que tem a ver a segunda lei da termodinâmica com o postulado criacionista? Deus fez todas as coisas completas, acabadas e perfeitas. Quando o pecado entrou no mundo, desarrumou o sistema. Perfeito! Perfeitíssimo! Por isso que o universo caminha de níveis organizados para mais desorganizados. Porque Deus fez tudo completo e perfeito. Quando o pecado entrou no mundo, desorganizou o sistema. Está perfeitamente de acordo com os criacionitas a segunda lei da termodinâmica.
.Jura, pastor? Pois não é isso o que bem sabe qualquer um com algum conhecimento do assunto que o senhor está pregando a seus fiéis (muitos dos quais, infelizmente, decerto pessoas de baixa escolaridade), que nem sequer fazem idéia do que quer dizer um monte de palavras que o senhor utiliza, para parecer estar argumentando sobre algo de que entende.
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A verdade, no entanto, é que a 2ª lei em questão postula apenas que a entropia de um sistema fechado não pode diminuir, ou, em outras palavras mais ilustrativas, não seria possível um processo que resultasse apenas na transferência de enegria de um corpo mais frio para outro mais quente. Acontece que a vida não é um sistema fechado, isto é, no qual não há adicionamento de energia de uma fonte exterior. O sol fornece energia mais do que suficiente para alimentar as fornalhas da vida na terra.
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Aliás, dizer que a 2ª lei é violada pela evolução demonstra apenas que está havendo uma compreensão totalmente equivocada tanto de como a seleção natural funciona quanto da própria termodinâmica, já que um conhecimento um pouquinho mais aprofundado destes dois pontos deixaria claro os furos desse argumento, a começar pela besteira de se dizer que a mencionada lei exige que tudo progrida, de modo invariável, da “ordem para o caos” — um clichê batido e equivocado, para não citar o fato de que o termo evolução, na Biologia, não quer dizer “progresso rumo à perfeição”, como gente como o pastor Malafaia parece não compreender. Evolução aqui quer dizer sobrevivência beneficiada por positivos ajustes adaptativos cumulativos, ocorridos paralelamente à extinção das espécies cujas características malograram no objetivo reprodutivo natural. Nada tem a ver com algum projeto de engenharia visando a tornar as espécies mais bonitinhas!
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A teoria da evolução diz que os organismos se reproduzem com apenas algumas pequenas alterações ao longo de gerações sucessivas. Assim, animais não têm necessariamente todos os seus órgãos, por exemplo, idênticos aos de seus genitores. De vez em quando, no decorrer de muitas gerações, poderia acontecer uma alteração resultando, digamos, no aparecimento de 4 ou 6 dedos num humano, em vez de 5. Se isso (que não passa de uma ilustração simplista da coisa para fins didáticos, é óbvio) acontecesse num cenário em que a existência desse dedo a mais ou a menos fosse mais útil de alguma maneira na luta pela sobrevivência e pela reprodução (objetivo primário de nossos genes), a seleção natural entraria em cena, através do sucesso reprodutivo diferencial. Ou seja, se esse dedo a mais ou a menos ajudasse mesmo a garantir a sobrevivência de qualquer um que tivesse essa característica, é claro que esses homens de 4 ou 6 dedos teriam mais anos de vida e mais chance para garantir sua reprodução e deixar descendentes do que teriam os outros homens. Com o tempo, a incessante relação entre vida e morte faria com que acabassem restando no mundo apenas homens com 4 ou 6 dedos. Os outros seriam extintos.
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A propósito, processos exatamente dessa natureza podem ser observados hoje, em exemplos muito mais do que simplesmente hipotéticos. Eles obviamente não violam nenhuma das leis da física, do contrário não seriam verificáveis. (Num experimento laboratorial recente, por exemplo, utilizando-se colônias de bactérias Escherichia coli, viu-se produzirem-se depois de gerações e gerações, alguns espécimes mutantes, que desenvolveram características totalmente ímpares e adaptativas nesse tipo de organismo, tal como previsto pela TSE.)
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Finalmente, vamos ao último ponto que o Pr. Silas usará (ou melhor, deturpará) para defender o criacionismo:
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A quarta lei — e essa lei, ela é aceita em todos os campos da ciência — é a lei da causa e do efeito. Sabe o que é que diz essa lei? Que nenhum efeito é quantitativamente maior e qualitativamente superior à causa. O efeito não pode ser maior do que a causa. Nenhum efeito pode ser maior do que a causa. (...)
Vamos ver o que a evolução diz! Matéria inanimada: causa. Vidas mais complexas, como eu e você: efeito. Não pode! (...) Impossível! O efeito não pode ser maior do que a causa. O postulado evolucionista bate de frente com a lei da causa e efeito. O efeito não pode ser melhor e superior à causa.
Agora, vamos submeter ao postulado criacionista! Deus, grande, tremendo, onipotente, onisciente, eterno, cria o homem, um ser com suas limitações. Deus: causa. Maior do que o homem: efeito. Está perfeito! Está perfeito! Deus: a causa. Maior do que o homem: efeito. O postulado criacionista está de acordo com a quarta lei que eu acabo de dizer, a lei da causa e efeito. É de goleada, meu irmão!
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É, sim! Se marcar gol for simplesmente dizer asneiras, foi mesmo uma goleada e tanto! Nunca vi tanta estupidez arrotada num mesmo discurso.
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Para início de conversa, não existe lei da causa e efeito em ciência. Existe o princípio filosófico de causalidade, que é aplicado em ciências exatas e alguns campos de outras ciências, mas nada de lei da causa e efeito “aceita por todos os campos da ciência”. O que estamos vendo aqui é escancarada desonestidade de um pastor que engana seus fiéis, confiando no desconhecimento da matéria que eles muito provavelmente terão. Mas, seja como for, o mais importante quanto a esse princípio é que ele denota uma relação necessária entre um evento (a causa) e outro evento subseqüente (efeito daquele). Assim, podemos dizer que, na Física, por exemplo, forças elementares como a gravidade, as forças nucleares forte e fraca, e o eletromagnetismo são causas de praticamente todos os eventos no universo.
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Agora, qual é o problema disso com a argumentação descabida de Malafaia?
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Bem, é simples! Ele utiliza uma linguagem metafórica enganadora. Fala de matéria inanimada, apresentando-a como um tipo de entidade singular causadora e vidas complexas como sendo o efeito, a coisa criada por essa entidade inanimada. A idéia é tão ingênua e ignorante que nem mesmo merecia algum comentário a seu respeito, mas, como se pode ver no vídeo da pregação, não são poucos os que, sem qualquer conhecimento de ciência, engolem todas as idiotices com que o pastor os engana descaradamente.
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O fato é que, entre toda a ordem de elementos inorgânicos existentes na Terra primitiva e o surgimento das primeiras formas de vida, milhões e milhões de anos se passaram, reações e mais reações químicas ocorreram neste planeta, cadeias e mais cadeias elementares de compostos se formaram. A evolução das espécies na Terra, desde o surgimento da primeira forma de vida, a primeira estrutura autorreplicante, deu-se por meio de um processo gradativo, lento e cumulativo de traços que beneficiaram a sobrevivência e a reprodução de cada nova espécie que foi se formando. Não foi produto de algo mágico realizado pela matéria inanimada na forma de um entezinho singular e dotado de bizarros poderes. Aliás, isso é exatamente o que Deus representa: uma entidade imaginária que, num passe de mágica, cria tudo a partir do nada, como o próprio pastor diz, cada coisinha “completa”, “acabada” e “perfeita”.
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A todo momento, Malafaia utiliza a figura de Deus para explicar as coisas, enquanto vai distorcendo teorias e princípios, e misturando áreas científicas não afins, sendo que a própria hipótese de Deus exige uma explicação para a qual não há nenhuma evidência corroborante. Antes de ser uma solução para algum problema, a hipótese de Deus é um problema em si mesmo. E o ônus da prova de sua plausibilidade cabe a quem a apresenta, a quem a defende como hipótese válida. E, em momento algum, o Pr. Silas nos oferece qualquer evidência indiscutível de que um Deus exista, principalmente o seu Deus em particular.
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Não, a pregação alienante de Silas Malafaia não pára por aí. Ele ainda vai falar aquelas velhas baboseiras que estamos cansados de ler em sites criacionistas na internet, que são um festival de mentiras deslavadas: que não existem fósseis transicionais (mas existem e não são poucos), que evolução significa desenvolvimento crescente e ascendente e que, portanto, fósseis de enormes dinossauros contradizem a evolução (o que não é verdade, pois, apenas na cabeça de um ignorante em Biologia, a palavra evolução quer dizer mudanças ascendentes, do pior para o melhor, do menor para o maior, do mais fraco para o mais forte — algo que ele vai dizer ao comentar sobre o Homem de Cró-Magnon: o sentido biológico de evolução é a acumulação de traços que favoreçam o sucesso reprodutivo em determinado ambiente; logo, um homem não é “mais evoluído” do que um peixe, pois este está adaptado para sobreviver em seu meio — dentro d'água — tanto quanto o homem está adaptado para sobreviver em seu próprio meio ambiente), diz que o registro fóssil da linhagem Homo é uma farsa (mas demonstra uma ignorância tão risível que nem mesmo sabe o nome aportuguesado do Homo neanderthalensis, que esse pastor energúmeno chama de homem de “Neanterdal”), e pior: diz que foi descoberto que os neandertais eram apenas homens que sofriam de “raquitismo” — uma mentira deslavada, que só mesmo um cara-de-pau teria o atrevimento de dizer.
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No geral, o que vemos no vídeo de Malafaia é um monte de distorções de princípios científicos e muita mentira deslavada. Ele fala de uma ou duas fraudes de fósseis alegadamente humanóides, mas não cita os fósseis de autenticidade indiscutível que atestam nossa linhagem evolutiva. Fala que mutações levam somente à involução, ao prejuízo do mutante, sendo que, embora a maioria das mutações seja mesmo de conseqüências negativas, algumas acabam aleatoriamente produzindo algum traço que seja vantajoso para aquele organismo em seu hábitat, passando pelo crivo da seleção natural e perpetuando-se na espécie. Por fim, comentando sobre o Projeto Genoma Humano, que trouxe à tona mais evidências genéticas de nossa ancestralidade comum, o que corrobora a teoria da evolução, o pastor distorce completamente o que isso significa para o criacionismo e diz que o mapeamento de nosso genoma revelou que todos descendemos de um só homem: Adão! E mais: diz que isso só não é divulgado na mídia por obra do Diabo.
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Mas, enfim, depois de ver como lavagem cerebral faz mal, até para quem está apenas sendo testemunha telespectadora de todo o processo, fui indagado pelo meu parente evangélico que me mandou ver o vídeo: “E aí, o que você me diz agora, hein?”
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Minha resposta:
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— Digo o que mesmo que sempre disse. Ah, que bom seria se essa gente estudasse mais, não é mesmo?
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6 comentários:
Saudações.
Excelente texto. Estou escrevendo um conjunto de blogagens sobre estes argumentos e o citei.
http://francisco-scientiaestpotentia.blogspot.com/
Desde já, grato.
Como o DNA se modifica ao longo dos anos? Há se nasce uma espécie diferente como ela se reproduz? Pois se cruzarmos espécies diferentes nascem seres Híbridos!
Fico no aguardo.
Leandro Cotrim
email: cotrim.leandro@gmail.com
Leandro,
Uma nova espécie (não um indivíduo mutante) surge por um fenômeno chamado especiação. Esta pode se dar, por exemplo, porque duas populações da mesma espécie apresentam frequências genéticas com ligeiras diferenças, embora partilhem o mesmo fundo genético.
Todavia, pode acontecer de surgir uma barreira geográfica natural ou artificial (como rios, montanhas, estradas, variações de temperatura etc.), impedindo a troca de genes entre essas duas populações.
Tendo acontecido isso, por causa da acumulação de mutações ao longo do tempo e por adaptação a condições ambientais diferentes, ocorrem alterações no fundo genético de cada grupo de indivíduos.
Assim, há divergência nos respectivos fundos genéticos, o que acarreta uma incapacidade de cruzamento entre os indivíduos das duas populações isoladas, ainda que a barreira geográfica então desapareça.
Em suma, eis como podem surgir duas duas espécies distintas: por meio de especiação geográfica.
Espero ter sanado sua dúvida.
Mas como ocorre a especiação se o DNA não se modifica quando nasce um descendente de uma espécie?
Leandro Cotrim
Leandro,
Acho que você está influenciado pelos filmes de ficção ou de horror. As mutações de que estamos falando aqui não são aquelas aberrações que vemos no cinema. A maior parte das mutações tem pouco efeito sobre o fenótipo de um organismo, sua saúde ou sua aptidão reprodutiva.
De fato, as mutações que têm algum efeito são quase sempre deletérias, mas, ocasionalmente, algumas podem ser benéficas. Por exemplo, como sugerem pesquisas feitas com a mosca Drosophila melanogaster, no caso de mutações que acabem alterando alguma proteína produzida por algum gene, cerca de 70% delas será prejudicial, sendo o restante neutro ou fracamente benéficas.
A seleção natural influencia nas mudanças na frequência de um alelo numa dada população, nos casos em que tal alelo fornece uma vantagem seletiva ou reprodutiva do organismo. Todavia, lembremos que há ainda outros fatores que entram nessa matemática, como a deriva genética, a seleção artificial e a migração.
O que importa é que uma mutação não é uma aberração, isto porque aquela, ao contrário desta, trata-se de uma alteração ao nível de ponto, a qual envolve a eliminação ou substituição de um ou poucos nucleotídeos da fita de DNA. A mutação é responsável pela variabilidade gênica e, por extensão, pela variabilidade genotípica. É ela que fornece a matéria-prima para o processo evolutivo.
Uma mutação singular não implica a incapacidade desse indivíduo (como um gene mutante) reproduzir-se com
outros de sua espécie sem a mutação. Por isso, o efeito acumulativo de 30 mil mutações nos cromossomos 15 e 1, em especial, somadas a algumas no cromossomo 22, está assombrosamente associado ao desenvolvimento da esquizofrenia; porém, ainda assim, isso não impede que esse indivíduo com tantas mutações em seu genoma possa se reproduzir. Isso porque leva muitas gerações para que os genomas de organismos possam se alterar de modo significativo, resultando no fenômeno da evolução. (Além do quê, a especiação, em geral, depende do isolamento geográfico das populações, de modo que as alterações gênicas cumulativas as distingam ao ponto de se dissociarem como única espécie.)
Nesse contexto de separação populacional, a seleção para mutações benéficas pode fazer uma espécie evoluir para formas mais capazes de sobreviver em seu meio, o que se chama adaptação. Ao passo que a separação geográfica, impedindo a troca de genes entre as populações, leva à formação de novas espécies, ao longo de várias gerações.
Texto bastante esclarecedor, se não fosse por um pequeno problema, as pessoas que se interessão por um conteudo tão rico como esse são as mesmas pessoas que os escrevem, resumindo, ficaremos nesse circulo cultural, espero que pelo menos 1 entre os milhares de inocentes ludibriados pelas falácias desse ESTELIONATÁRIO, parem para ler, 1 parágrafo seu, no mais, vou enviar seu Post com seu nome, dados e o endereço do seu blog para algumas pessoas, a fim de ajudar nessa "luta" contra a estupidez religosa, se você liberar é óbvio, abraços,
Anderson Morais
morais.fortaleza@hotmail.com
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