domingo, 25 de novembro de 2007

Sobram autores, o que falta é inspiração

por Júnior Camilo
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Outro dia, estava debatendo com um bom amigo meu acerca desse tema tão recorrente em minha vida, que é a fé religiosa — também, quem me mandou levantar a bandeirinha da militância ateísta, não é mesmo? Mas, enfim! A discussão (que, preciso deixar claro, foi civilizada, pois esse meu amigo jamais brigaria com alguém por conta de suas crenças pessoais), começou com apontamentos quanto à autenticidade dos livros da Bíblia, do ponto de vista de sua suposta inspiração divina.
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Bem, é importante destacar que esse meu amigo tem uma particularidade em relação aos seus pares cristãos: ele acredita que apenas o Pentateuco (o conjunto dos cinco primeiros livros da Bíblia) e o Apocalipse foram de fato inspirados por Deus. Para ele, uma perspectiva que me surpreendeu, confesso-o, todos os demais livros bíblicos são meras obras das mãos humanas, portanto, passíveis de todas as falhas a que os homens estão sujeitos. O que é curioso aqui é precisamente o fato de que esses livros que ele aprecia, como frutos inegáveis da inspiração divina, são onde mais abundam as discrepâncias, os paradoxos, os absurdos da narrativa bíblica, enfim.
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Já no início de nossa conversa, ao perguntar a ele se acreditava mesmo no relato da criação, tal como o descreve o Gênesis, com aquela coisa de Deus criar o primeiro homem a partir de um monte de poeira (Gn 2:7), inteirinho, assim, do pó a um homem adulto, completo em cada detalhe anatômico, ele sacudiu a cabeça afirmativamente. Eu, porém, insisti na pergunta, se ele acreditava mesmo naquilo tudo, inclusive na história de que Deus fez toda a obra da criação em 6 dias de 24 horas. Meu amigo, então, respondeu-me com uma indagação: “Você conhece o verbo bara?” Surpreendido pela pergunta abrupta, limitei-me a admitir minha ignorância acerca do verbo em questão. “Pesquise sobre esse verbo”, ele disse então, “e você vai ver que há uma grande diferença de sentido.” Disse a ele que faria, sim, uma busca por fontes sobre o assunto; nada me é mais atrativo do que um convite à pesquisa.
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Ao chegar em casa, reuni meus livros e textos que estudei durante anos, quando fazia meus estudos mais criteriosos e avaliativos das escrituras sagradas, e fui em busca de alguma pista do tal verbo bara. Para minha agradável surpresa, o verbo estava ali, em um de meus textos, um de que já não me lembrava mais, embora acredito que jamais vou esquecê-lo outra vez, a partir de agora. E bastou ler o que o texto dizia sobre o verbo em questão, para eu entender em que meu amigo queria fundamentar sua argumentação. Mas, olhe só, meu brother: a coisa é um pouquinho diferente do que você concluiu!
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Descobri que muitos estudiosos cristãos têm tentado, a todo custo, fazer uma grande distinção entre dois verbos que aparecem na narrativa hebraica do Gênesis, ambos se referindo a ações de Deus no processo criativo. A idéia é argumentar que as coisas criadas, descritas com o verbo bara (בָּרָא, literalmente “criar”), seriam aquelas concebidas ex nihilo, ou seja, criadas do nada, por meio sobrenatural. Já aquelas outras coisas, cuja produção é descrita com o verbo asah (עָשָׂה, que quer dizer “fazer” ou “realizar”), seriam produzidas a partir da matéria já existente, e que, assim, a Bíblia estaria deixando entender que parte do processo de criação pode ter se estendido por um longo período de tempo. Algo que, como está óbvio, visa a dar às escrituras, numa atitude desesperada desses estudiosos, alguma base de sustentação de suas fábulas ingênuas — algum pilarzinho de credibilidade que seja! —, numa era em que a ciência avançou tanto que, no mundo inteiro, só faz aumentar o número de crentes que se rendem aos argumentos da evolução darwiniana, quando se aprofundam no estudo de suas evidências. Tanto que a idéia agora é a de tentar-se conciliar a teoria da evolução com a crença de que ela se deu como parte de um plano divino, ou de um “design inteligente”, para se usar um termo mais atual para essa falácia.
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Segundo a fraquíssima argumentação em torno do verbo bara, Deus só teria criado de forma sobrenatural os céus e a terra (Gn 1:1), as criaturas do mar e as aves (Gn 1:21) e, finalmente, Adão e Eva (Gn 1:27). Todas as outras coisas teriam sido criadas ao longo de um vasto período de tempo, já que, para elas, é usado o verbo asah. É isso o que meu amigo decerto estava tentando me dizer: que ele vê a criação sob dois pontos de vista; uns elementos sendo criados de modo instantâneo, a partir do nada, outros produzidos ao longo do tempo, a partir da matéria preexistente.
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Mas eu disse que o argumento é risivelmente fraco porque não resiste à mais simples verificação textual do Gênesis. Como os meus textos de estudo das fontes hebraicas salientam, embora bara seja o verbo usado para se referir à criação do homem, por exemplo, em Gn 1:27, Gn 5:1, Gn 5:2, em outras passagens do mesmo livro, o verbo usado para falar do mesmo ato criativo é asah, inclusive num dos versículos citados, em que um verbo aparece de maneira intercambiável com o outro, isto é, em Gn 5:1 — os outros versículos que usam asah para falar da criação do homem são: Gn 6:6 e Gn 9:6; isso para não mencionar o uso do mesmo verbo, ainda sobre a criação do homem, no livro de Isaías (43:7). O mesmo se dá com relação ao uso dos dois verbos, de forma intercambiável, acerca da criação dos céus e da terra. Em Gn 1:1 e Gn 2:4, bem como nos Salmos e no livro de Isaías — Sl 148:5 e Is 40:26 — o ato criativo de Deus que concebe os corpos celestes é descrito com o verbo asah. E, mesmo que as aves e os seres marítimos jamais apareçam descritos com esse verbo no Gênesis — embora o verbo seja usado na sentença “e da superfície da terra exterminarei todos os seres que eu fiz” (Gn 7:4) —, é asah o verbo usado nos Salmos, quando se fala dos seres que Deus fez sobre a terra e no imenso mar (Sl 104:24s).
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Finalmente, para botar um ponto final nessa coisa de que o verbo bara (בָּרָא) queira dizer um tipo de criação sobrenatural, a partir do nada, basta observar que, ainda que Gn 5:1 use esse verbo para dizer que Deus criou o primeiro homem e a primeira mulher, Gn 2:7 diz claramente que Deus “formou” Adão — o verbo aqui é yatsar (יָצַר) — a partir do pó da terra, enquanto Eva, segundo Gn 2:22, foi “modelada” — verbo banah (בָּנָה) — a partir da costela de Adão. Portanto, chega dessa discussão sem fundamento!
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Uma coisa curiosa, que não me lembrei de perguntar ao meu amigo, é se ele, uma vez que acredita na inspiração divina do Pentateuco, também faz parte daquele número cada vez menor de crentes que ainda atribuem a autoria dos primeiros cinco livros da Bíblia (isto é, Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio) a Moisés. Tenho uma forte intuição de que a resposta seria afirmativa. O que é ainda mais problemático!
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Afinal de contas, hoje em dia, mesmo estudiosos bíblicos das mais variadas denominações cristãs (católicos, presbiterianos, metodistas, batistas, etc.) concordam, numa proporção que cresce a cada dia, que é impossível que um único autor, sobretudo Moisés, tenha escrito qualquer um desses livros.
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A detecção de que há uma gritante diferença de estilos entre os textos, repetições aos montes de coisas já mencionadas — em especial, no que se refere às leis —, uma incômoda desordem nos relatos, entre alguns outros pontos menos relevantes, fazem com que apenas uma pessoa crédula por demais não reconheça o erro na alegação de uma autoria mosaica dos cinco livros. Alguém incapaz de mudar de opinião religiosa, mesmo diante da mais óbvia das evidências, como um fundamentalista bitolado nas escrituras sagradas, parecido com aqueles psicopatas mais radicais do Talibã.
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Afinal, desde que Thomas Hobbes, no capítulo 33 de sua famosa obra, Leviatã, chamou a atenção para o fato de que algumas passagens bíblicas, como o que se lê em em Deuteronômio, sobre a morte e o sepultamento de Moisés (Dt 34:5ss), por exemplo, só podem ter sido escritas por outra pessoa — é óbvio! —, muitos pensadores e estudiosos bíblicos, passando por Julius Wellhausen com sua hipótese documentária, têm descoberto vários indícios que corroboram a visão, hoje indiscutível mesmo entre um número cada vez maior de cristãos e judeus, de que Moisés, se é que existiu (pois provas de sua existência histórica não há, que fique bem claro!), com certeza não escreveu nenhum dos cinco livros do Pentateuco.
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Uma das últimas hipóteses a respeito do assunto aparece no livro The Bible with Sources Revealed [“A Bíblia com Fontes Reveladas”], publicado em 2003 pelo especialista em estudos bíblicos da Universidade da Georgia, EUA, o professor Richard Elliot Friedman. Na obra, ele aponta que os cinco livros são fruto de quatro fontes distintas, tanto no que tange aos respectivos períodos de sua composição quanto no que diz respeito ao local onde cada parte do Pentateuco foi escrita — na verdade, o professor faz apenas uma nova abordagem da hipótese de Wellhausen, que ele busca aperfeiçoar. Os primeiros relatos surgiram em Judá, de acordo com Friedman, em algum momento entre 922 AEC (antes da Era Cristã) e 722 AEC. E a redação final dos livros se deu no tempo de Esdras — em torno de 450 AEC. Em todo caso, muito tempo depois da época em que os crentes acreditam que Moisés tenha vivido: por volta de 1500 AEC. O professor faz seu estudo analítico e um tanto interessante dos cinco livros, pautando-se por sobre os seguintes aspectos:
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=> Lingüística: Percebe-se que cada uma das 4 fontes reflete o hebraico tal como era falado na época em que cada autor estava elaborando os textos, respectivamente. O hebraico, tal como nos relatos da primeira fonte, não é igual ao do tempo do terceiro autor e assim por diante.
=> Terminologia: Certas palavras ou expressões aparecem nos textos de uma maneira muito desproporcional, dependendo da fonte (um autor as usa mais do que outro), e, em alguns casos, algumas são de uso exclusivo de um único autor, não aparecendo nas demais fontes.
=> Conteúdo consistente: Alguns conceitos, objetos e práticas só aparecem em uma fonte em particular, jamais sendo encontrados nas outras.
=> Continuidade dos textos: Friedman demonstra que, quando separadas e reagrupadas, de acordo com as pistas lingüísticas, terminológicas e contextuais encontradas, cada fonte apresenta uma narrativa coerente e independente.
=> Conexões com outras partes da Bíblia: Cada uma das fontes, a seu modo, tem afinidades diretas com outras partes específicas da Bíblia, o que depõe ainda mais contra a autoria mosaica do Pentateuco, já que os autores teriam tido contato com esses outros livros bíblicos, muito posteriores ao tempo em que se supõe que Moisés tenha vivido, se realmente existiu.
=> Relações das fontes entre si mesmas e com a história: Cada fonte tem conexões com circunstâncias específicas da história de Israel/Judá, bem como têm conexões uma com a outra, o que explicita o caráter reprodutivo das histórias e a contextualização histórica em que se via inserido cada autor.
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Tudo isso é levado em conta e meticulosamente avaliado pelo professor. E, embora a hipóstese de Friedman não seja uma teoria definitiva, nem mesmo esteja sendo aceita sem enfrentar críticas contrárias, o fato é que, hoje, não dá mais para se sustentar a alegação absurda de que Moisés tenha sido o autor dos cinco livros que compõem o Pentateuco. Ele não escreveu nem um deles!
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E todos esses livros não fazem mais do que compor um conjunto desordenado de fábulas misturadas a tradições orais deturpadas de eventos com uma maior ou menor plausibilidade histórica, onde os “fatos” raramente são fatos, no rigor da palavra, comprovados ou comprováveis. Onde relatos da criação do mundo e da humanidade, com ou sem bara, nada têm de verdadeiros, no sentido de uma descrição precisa de eventos constatados num dado ponto da linha do tempo.
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Ademais, há uma coisa que é sempre bom ter em mente, quando se pensar em levar a sério narrativas que falam de coisas que teriam acontecido assim ou assado, em tempos tão remotos, e que os crentes tendem a aceitar como tão factuais quanto os relatos da Segunda Guerra Mundial nos livros de História, por exemplo. Primeiro: apesar de o papiro ter sido produzido no Egito, por volta de 3000 AEC, ainda nos tempos em que Moisés teria vivido, era um material raríssimo e de uso exclusivo das cortes dos faraós — ou seja, Moisés não poderia ter usado papiro para escrever nada, pois, para escrever, apenas folhas e cascas de árvore, além de tijolos de barro ou lâminas de pedra estavam ao alcance das pessoas em geral. Segundo: os pergaminhos só surgiram em sua forma definitiva por volta de 200 AEC — apesar de Heródoto, em sua obra História, afirmar que peles de animais já eram usadas para fins de escrita no seu tempo (século 5 AEC) —, feitos do couro de ovelhas, cordeiros e novilhas; porém, nem mesmo na época de Jesus, era um material muito acessível às massas. Terceiro: é fácil concluir que houve uma considerável tradição oral, ao longo de séculos, mantendo e transmitindo, geração após geração, as histórias que, hoje, lemos na Bíblia, em especial, no “Antigo Testamento”. Quarto: chega a ser ingênuo concluir, portanto, que os relatos bíblicos possam ser levados a sério como fontes de narrativas históricas, tal como os livros que estudamos no colégio, quando sabemos que tradições orais, via de regra, corrompem o relato original de forma diretamente proporcional à extensão da prática ao longo da linha do tempo.
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Finalmente, como se trata de um conjunto de livros totalmente produzidos por mãos humanas — muitas mãos, diga-se de passagem! —, em tempos de um vasto desconhecimento científico, comparando-se com a nossa era, não é de se estranhar que haja, nas escrituras sagradas, tantos erros nesse sentido, que, agora, ninguém mais pode negar, sem que se esteja assinando um atestado de ignorância. Quando lemos em Josué (10:12), (9:5) e Eclesiastes (1:5), por exemplo, passagens que afirmam claramente que o Sol é que se move no céu, em vez de ser o contrário, pois é a Terra que gira em torno do Sol, como sabemos muito bem hoje em dia, não há como dizer que a Bíblia é infalível, precisa, fonte da verdade e inspirada por Deus. Isso para não se mencionar o que é dito no nosso tão citado livro de Gênesis (14:14-17), onde o Sol e a Lua são tratados como meros luminares fixados no firmamento da Terra, e, portanto, bem menores do que o nosso planeta, o que é mesmo verdade em se tratando da Lua, mas um absurdo, se considerarmos as dimensões conhecidas do Sol. Além disso, vemos a Lua desobedecer claramente as ordens de Deus nesses versículos, já que foi ordenado que ela deveria ser o luminar que governaria as noites no mundo, e, no entanto, ela nem sempre dá as caras à noite, como já cansamos de observar, nem tampouco deixa de dar uma aparecidinha intrometida durante o dia, durante o governo do Sol.
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Isso para não falar que, na Bíblia, a Terra é como uma bandeja flutuante por cima do vácuo, plana, circular e coberta por uma tampa abobadada, o tal do firmamento, onde os corpos celestes ficam pendurados e de onde podem até despencar em cima de nós, além de ter extremidades, confins, limites fronteiriços que podem ser avistados, caso você suba num lugar alto o bastante — o que é óbvio, aliás, se se considerar mesmo a Terra essa bandeja plana e circular, em vez de ser redonda, sem limites visíveis no horizonte, não é mesmo? Basta ler alguns versículos para vermos essa idéia ignorante espalhada por toda parte nos textos: Isaías (40:42); Provérbios (8:27ss); (22:14; 26:7-10; 37:18), Amós (9:6); Daniel (4:10.20); Mateus (4:8); Lucas (4:5); e Apocalipse (6:13).
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E isso é só o início de todas as discrepâncias que podem ser encontradas na Bíblia, da primeira página do primeiro livro à última do último, o Apocalipse, livro também apreciado pelo meu amigo crente. Este, um livro que, além de várias imagens plagiadas de uma maneira berrante do livro de Daniel, e reconstruídas ao gosto do autor da grande “revelação”, ainda contém, na sua versão original, em grego, tantos erros gramaticais, que chega a ser ridículo que alguém considere tal obra como sendo fruto de inspiração divina. Em Ap 1:4, 1:15; 11:3; 14:14 e várias outras passagens, os erros de declinações das palavras conforme o caso gramatical apropriado são abundantes, o que mostra que a pessoa que escreveu o texto tinha pouquíssima familiaridade com o grego, ao contrário do Evangelho de João, por exemplo, que muita gente acredita ser obra do mesmo autor, mas, no entanto, está escrito numa linguagem impecável sob esse aspecto: prova de que não foi a mesma pessoa que o escreveu.
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Bem, no mais, seria preciso escrever um livro inteiro sobre os erros e absurdos que há nas páginas da Bíblia. Tantas são as discrepâncias que encontrei, enquanto ainda era um cristão devoto, estudando profundamente aquela que eu achava ser a verdadeira palavra de Deus, que, se fosse comentar sobre todas, o produto final seria um livro decerto mais espesso que a própria Bíblia. Mas tudo se resume a uma única constatação: nada na Bíblia foi inspirado por Deus nenhum!
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AVISO

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